Ruy Castro - Despindo Nelson.

Ruy Castro, no Leblon, em foto de Marcio Scavone . . . . . . . . Se hoje conhecemos Nelson como realmente é, se ninguém pode negar a sua genialidade, devemos isso ao Ruy Castro que possibilitou a nós um estudo confiável e riquíssimo acerca de sua vida e de suas obras. Nada mais compreensível vermos serem dedicados a ele, também o carinho dos fãs de Nelson Rodrigues. . . . . . . . .
Um pouco sobre ele:
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Ruy Castro nasceu em Caratinga, Minas Gerais, em 1948. Desde os cinco anos de idade pedia que sua mãe lesse, em voz a alta, as histórias de adultério que Nelson Rodrigues publicava na imprensa. Escritor e colunista da Folha de S.Paulo, formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, atua na imprensa desde 1967, passou por todos os grandes veículos do Rio e São Paulo e trabalha com livros desde 1987. Além de editor e organizador de obras de Nelson Rodrigues, é autor de sua biografia, que é a principal, a mais importante referência de estudos sobre Nelson. "O anjo pornográfico" tornou possível a muitas pessoas entenderem que Nelson Rodrigues foi fundamental para a literatura brasileira (com caráter universal), o teatro, a cultura. É também autor de biografias de Garrincha e Carmen Miranda. Traduziu Woody Allen, Dorothy Parker e outros. Escreveu mais de vinte livros, traduzidos para diversos idiomas. Transitou pelo humor, ficção, chegando aos livros de não-ficção. Aliando rigor jornalístico ao texto primoroso, consagrou-se como um dos escritores mais respeitados do país. É, hoje, um dos principais autores da editora Companhia das Letras.
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O livro "O anjo pornográfico – A vida de Nelson Rodrigues", levou o prêmio Nestlé de Literatura.

O livro "Estrela solitária - Um brasileiro chamado Garrincha", recebeu o Jabuti e foi considerado o melhor livro do ano.

O livro "Carmen, uma biografia", também levou o Jabuti e foi considerado o melhor livro de não-ficção em 2006.

Lançou o romance histórico: Era no tempo do rei.

Obras publicadas:
  • Chega de Saudade: A história e as histórias da Bossa Nova (1990);
  • O Anjo Pornográfico: A vida de Nelson Rodrigues (1992);
  • Saudades do Século XX (1994);
  • Estrela Solitária: Um brasileiro chamado Garrincha (1995);
  • Ela é Carioca (1999);
  • Billac Vê Estrelas (2000);
  • O Pai que era Mãe (2001);
  • A Onda que se Ergueu no Mar (2001);
  • Carnaval no Fogo (2003);
  • Flamengo: Vermelho e Negro (2004);
  • Amestrando Orgasmos (2004);
  • Carmen: Uma biografia (2005).
  • Tempestade de Ritmos (2007).
  • Ungáua! - 101 Crônicas: reunião de crônicas jornalísticas (2008).

Participações, adaptações e antologias:

  • O Melhor do Mau-Humor: Uma antologia de citações venenosas;
  • Contos de Estimação;
  • Alice no País das Maravilhas;
  • O Poder de Mau-Humor;
  • Querido Poeta: Correspondência de Vinícius de Moraes.

"Outro dia me perguntaram por que eu gostava tanto de ler. Vejamos. Ler é melhor do que ir ao cinema, viajar ou usar porcarias que tiram o sujeito do sério. Ao ler você produz, dirige e estrela o filme dentro de sua cabeça; viaja sem os inconvenientes da viagem; e penetra em mundos dos quais volta mais humano e mais sábio. Nada expande mais a consciência do que um bom romance ou qualquer livro inteligente. Pensando bem, ler é a segunda melhor coisa do mundo. A primeira é escrever. A que você está pensando é hors-concours." Ruy Castro

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Trecho da introdução de "O Anjo pornográfico":
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Se a narrativa de “O anjo pornográfico” lembra às vezes um romance é porque não há outra maneira de contar a história de Nelson Rodrigues e de sua família. Ela é mais trágica e rocambolesca do que qualquer uma de suas histórias, e tão fascinante quanto. ~ quase inacreditável que o que se vai ler aconteceu de verdade no espaço de uma única vida. (Daí por que quando Nelson morreu em 1980, aos 68 anos, muitos achassem que ele era séculos mais velho.)
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Durante muitos anos, Nelson Rodrigues carregou a fama de “tarado”. Em seus anos finais, a de “reacionário”. Ninguém foi mais perseguido: a direita, a esquerda, a censura, os críticos, os católicos (de todas as tinturas) e, muitas vezes, as platéias — todos, em alguma época, viram nele o anjo do mal, um câncer a ser extirpado da sociedade brasileira. E, olhe, quase conseguiram. .
Mas, ao mesmo tempo em que queriam “caçá-lo a pauladas, como a uma ratazana prenhe”, havia também muitos para quem parecia impossível admirar Nelson Rodrigues o suficiente. também muitos para quem parecia impossível admirar Nelson Rodrigues o suficiente. Mesmo os seus piores inimigos nunca lhe negaram o talento — e não foram poucos os que o chamaram de gênio. Há quem arrisque até explicações espíritas para certos lampejos de Nelson. Para alguns, era um santo; para outros, um canalha; para todos, sempre, uma surpresa ambulante. Mas, como se verá, ninguém o conheceu direito..