Ruy Castro escreve ao Joffre Rodrigues sobre VESTIDO DE NOIVA - O filme:
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Em consequência, é também o melhor filme brasileiro baseado em qualquer peça de teatro. Se a unanimidade discorda de mim, pior para a unanimidade.
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Joffre conseguiu o milagre de, não apenas verter uma peça revolucionária para o cinema, mas o de fazer um filme que existe independentemente da peça em que se originou. Quero dizer que não se trata de uma simples adaptação muito bem sucedida, mas de uma autêntica recriação -- em termos estritamente cinematográficos, ou seja, usando todos os recursos de que o cinema é capaz.
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Na peça, os planos de realidade, memória e alucinação no personagem de Alayde se fundem e se confundem, como queria Nelson. Mas o teatro, mesmo quando genial, tem seus limites. Não se pode fazer um ator trocar de roupa e de cenário de uma cena para outra, instantaneamente. Mas o cinema pode fazer isto e muito mais, e de um plano para outro -- em 1 centésimo de segundo, tudo pode mudar.
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Joffre explodiu aqueles limites. Não há passado, lembrança ou delírio para confrontar com a realidade. É tudo realidade (ou talvez tudo seja passado, lembrança ou delírio). Seu "Vestido de noiva" lembra "O ano passado em Marienbad", de Alain Resnais, visto por muitos na época -- 1960 -- como o único filme do cinema que não poderia existir em nenhum outro veículo.
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Os críticos escreveram que o filme era "teatral". É exatamente o que ele não é. Tente botar no palco o que Joffre Rodrigues botou na tela -- da maneira como ele o botou. Se alguém conseguir, troco de nome e deixo de me chamar Ruy Castro.
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Valeu, Joffre?
Abraços,
Ruy"
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(Foto: Bel Pedrosa)
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Grande Ruy Castro, mudo de nome também.
Postado por
Geórgia Damatis
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